O cuidar de Deus
Há algum tempo, minha filha de 8 anos participou da gravação
de um vídeo institucional que eu roteirizei e dirigi, no qual previa-se algumas
cenas de família. Dois atores fariam papéis dos pais e ela da filha. Como era
algo fora do planejado inicialmente, sem verba, o produtor que era meu amigo, a
pediu “emprestada”.
Acontece que ela não é atriz e estava muito aflita de fazer
a filmagem. Claramente, ela havia concordado para me agradar, mas estava
desconfortável, insegura e com medo.
Enquanto fazíamos os preparativos da primeira cena, um café
da manhã, ela ia ficando cada vez mais fechada, sisuda, aflita. Ela estava com
muita vergonha e medo de errar, do que aconteceria. Fui então falar com ela,
dizer que era só ficar a vontade, agir naturalmente, que seria simples e que
ela tinha todas condições de superar esse desafio, que eu confiava nela e que
ela precisava confiar em mim. Mas a tarefa parecia grande demais.
Para ajudá-la, propus então um acordo: enquanto ela fazia a
cena, eu ficaria agachado atrás dela para que ela se sentisse mais confortável.
![]() |
| A Ana e eu |
Durante a cena, durante todo o tempo procurei fazer carinho
nela e dizer palavras de conforto e por diversas vezes ela pegou minha mão
debaixo da mesa. No final, a cena aconteceu e ela conseguiu superar o primeiro
desafio.
Além desta, havia mais duas cenas, porém, depois da
primeira, as outras foram bem fáceis e gostosas de fazer, rendendo lindos
takes. Contudo, mesmo mais tranquila e a vontade, seus olhos sempre me
procuravam no set e eu, próprio fiz questão de me manter por perto.
Ao retornar para casa, pensei como muitas vezes, para não
dizer sempre, agimos com Deus como minha filha agiu comigo, afinal ele é nosso
Pai e essa identidade paternal não é por acaso.
Mais do que sermos filhos de Deus, nós agimos como filhos,
ou seja, nos momentos de aflição corremos assustados, chorando, implorando
proteção, ajuda, acolhimento, paz - E não há nada de errado nisso, Deus compreende
estarmos aflitos e são inúmeras as passagens que os muitos personagens
confessam suas tribulações e pedem alívio. E Deus, em seu infinito amor, também
em inúmeras passagens nos diz que nunca nos abandonará, nos faltará e o que nos
pede é que confiemos Nele. Deus nunca nos dá um desafio, uma tarefa, uma
provação que não tenhamos capacidade de cumprir.
Por outro lado, quando as coisas parecem mais tranquilas,
nos sentimos a vontade para nos afastarmos um pouco mais, para ousar. Se a nossa
confiança não é completa, sempre olhamos de soslaio se Deus está lá, sempre
fazemos menção ao seu nome e damos um “oi”. Penso que essa é parte da relação
que Deus deseja de nós, que tenhamos iniciativa e atitude, mas nunca nos
esqueçamos quem Ele é, de seu Poder e sua autoridade, e Sua presença, assim
como de Seu amor.
Mas muitas vezes também, assim como muitos filhos (nós
próprios e nossos filhos), somos egoístas, imaturos, rebeldes e desobedientes.
Criticamos, culpamos e julgamos nossos pais e temos a certeza de que sabemos o
que é melhor para nós, nos achando autossuficientes.
Erroneamente, como filhos imaturos e, injustos e até
ingratos, culpamos a Deus por nossas dificuldades, nossas desgraças (as quais,
muitas vezes, são inclusive, causadas por nós próprios), questionando Sua
justiça e Seu amor e seus planos.
Nenhum pai cria os filhos para que estes o esqueçam quando
julgarem não precisar mais deles, mas para que eles saibam agir por conta
própria, tenham independência, mas sempre honrando tudo aquilo que os pais
ensinaram, passaram e proveram (e ainda continuam fazendo). Assim, como nenhum
bom pai abandona seus filhos.
Deus não quer que sejamos tão dependentes a ponto de sermos
inaptos a viver, mas não aprova que o coloquemos de lado, o descartemos,
somente lembrando de sua existência quando a coisa aperta e não tenhamos mais
alternativas. Ele quer participar ativamente de nosso dia a dia e que confiemos
nele e o amemos acima de tudo e todos.
Em Lucas 11:11-13, diz Jesus:
E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente?
Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?
Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?
Deus nunca nos abandona, nunca nos falta, nunca nos deixa sós! NUNCA!
Estar com Deus, ao contrário do a maioria pensa, não é viver
livre de dificuldades, de problemas, de tragédias, de desgostos ou de
tentações, mas é ter a certeza de que, quando algo acontecer, não estaremos
desamparados, sozinhos.
Deus nos ama incondicionalmente e nos perdoa. Mas nos deu a
escolha de optarmos pelos caminhos e pela vida que queremos trilhar. E o livre
arbítrio também é um ato do amor de Deus, nunca nos dá as costas.
Os filhos devem crescer mas, assim como diz em Provérbios
1:18 : “Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixeis a instrução de tua
mãe.” E em Efésios 6:1-3:
Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.
Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa;
Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.
Efésios 6:1-3
Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa;
Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.
Efésios 6:1-3
Fiquem com Deus e na glória de Jesus Cristo.

Comentários
Postar um comentário